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Cuidados paliativos: 8 mitos que cercam essa especialidade

Compreender os mitos e as verdades sobre os cuidados paliativos é fundamental para garantir que os pacientes e suas famílias tenham acesso ao suporte necessário durante momentos difíceis. Ao desmistificar esses conceitos, podemos promover uma abordagem mais humanizada e eficaz no tratamento de doenças graves, assegurando que todos recebam o cuidado digno que merecem.

Cuidados paliativos: 8 mitos que cercam essa especialidade

Os cuidados paliativos ainda são cercados por mitos e incompreensões, o que dificulta a aceitação dessa abordagem importante para o tratamento de pacientes com doenças graves.

O principal objetivo dos cuidados paliativos é melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias, promovendo alívio da dor e de outros sintomas, além de apoio emocional, social e espiritual.

Nesta matéria, você conhecerá alguns dos principais mitos e verdades sobre os cuidados paliativos, e a sua importância para a jornada oncológica.

Mitos e Verdades sobre cuidados paliativos

Mito 1: Cuidados paliativos são apenas para pacientes em fase terminal.

Mito! Embora os cuidados paliativos sejam associados a pacientes em fase terminal, essa abordagem pode ser aplicada em qualquer fase de uma doença grave, não apenas no final da vida.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados paliativos são indicados desde o momento do diagnóstico de doenças que ameaçam a vida, podendo ser oferecidos em paralelo a tratamentos curativos. Isso significa que pacientes com câncer, doenças cardíacas, pulmonares, renais ou neurológicas crônicas, por exemplo, podem se beneficiar dos cuidados paliativos para melhorar sua qualidade de vida.

Mito 2: Cuidados paliativos significa desistir do tratamento

Mito! Este é um dos mitos mais comuns. Os cuidados paliativos não são sinônimo de abandono do tratamento. Essa modalidade de cuidado visa complementar a assistência médica curativa, atuando no controle de sintomas como dor, falta de ar, náuseas e cansaço, além de fornecer suporte psicológico e social ao paciente e à sua família. Os tratamentos curativos e paliativos podem ser realizados simultaneamente, com o objetivo de proporcionar o máximo de conforto e dignidade ao paciente.

Mito 3: Apenas pacientes com câncer recebem cuidados paliativos

Mito! Embora os cuidados paliativos sejam associados ao tratamento de pacientes com câncer, eles são indicados para pessoas que sofrem de uma ampla gama de doenças crônicas e progressivas, como insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), Alzheimer, esclerose múltipla, insuficiência renal e outras condições graves.

Mito 4: Cuidados paliativos aceleram a morte

Mito! Os cuidados paliativos não têm o objetivo de acelerar ou retardar a morte. De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o foco é proporcionar conforto e qualidade de vida, aliviando o sofrimento físico e emocional.

Além disso, os cuidados paliativos respeitam a autonomia do paciente e suas escolhas de tratamento, com ênfase na assistência integral e humanizada. O mito de que há uma antecipação da morte deriva de uma confusão com práticas como a eutanásia, ilegal no Brasil e distinta dos cuidados paliativos, que buscam o bem-estar sem interferir no curso natural da doença e/ou do tratamento.

Mito 5: Somente médicos podem fornecer cuidados paliativos

Mito! Os cuidados paliativos são oferecidos por uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas e até capelães.

Essa abordagem ampla permite que as necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais do paciente sejam atendidas de forma integrada. A participação de diferentes profissionais é essencial para garantir que todos os aspectos do bem-estar do paciente sejam contemplados, ajudando tanto a pessoa doente quanto seus familiares a lidar com o impacto da doença.

Mito 6: Cuidados paliativos são aplicados apenas em hospitais

Mito! Os cuidados paliativos podem ser oferecidos em uma variedade de ambientes, incluindo hospitais, clínicas, unidades de internação especializadas, casas de repouso e até no domicílio do paciente.

O importante é que o indivíduo receba o suporte adequado no local em que se sinta mais confortável e onde suas necessidades possam ser atendidas de forma eficaz. A escolha do local depende da condição clínica, das preferências da família e dos recursos disponíveis, sendo o cuidado em casa uma opção viável para pacientes que desejam estar em um ambiente familiar.

Mito 7: Cuidados paliativos são voltados apenas para o paciente

Mito! Embora o foco principal dos cuidados paliativos seja o bem-estar do paciente, a família também é parte fundamental desse processo.

Os cuidados paliativos incluem suporte aos familiares, ajudando-os a lidar com o estresse emocional e as dificuldades associadas ao cuidado de um familiar gravemente doente. A equipe multidisciplinar oferece apoio psicológico, ajudando a família a enfrentar as decisões difíceis e o processo de luto.

Mito 8: Cuidados paliativos são caros e inacessíveis

Mito! Embora os cuidados paliativos especializados possam envolver custos, há instituições de saúde públicas e privadas no Brasil que oferecem esses serviços de forma acessível ou gratuita.

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza cuidados paliativos em hospitais e em domicílio, por meio de equipes de saúde da família e de atendimento domiciliar. Além disso, diversas organizações sem fins lucrativos e programas comunitários oferecem esse tipo de assistência. O objetivo é garantir que todos os pacientes, independentemente de sua condição financeira, tenham acesso a um cuidado digno e humanizado.

Os cuidados paliativos são uma especialidade importante para o alívio do sofrimento e a promoção da qualidade de vida de pacientes com doenças graves. Entretanto, como apresentado, muitos mitos ainda cercam essa prática.

Desmistificar esses conceitos garante que mais pessoas tenham acesso a esse tipo de cuidado, que pode ser oferecido desde o diagnóstico de uma doença grave até a fase final da vida. É importante que pacientes e familiares estejam bem informados e entendam que obter cuidados paliativos não significam desistir, mas sim ter dignidade e conforto em todas as fases do tratamento.

Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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