Pressão 12 por 8 é alta? Entenda as novas orientações sobre hipertensão
A classificação "pressão arterial elevada" foi criada para alertar sobre o risco de doenças cardiovasculares e incentivar mudanças no estilo de vida
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A pressão arterial ideal é um dos principais marcadores de saúde cardiovascular, e pequenas alterações nos valores de referência podem gerar dúvidas. Recentemente, a Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) atualizou suas orientações, recomendando que o alvo ideal para a pressão arterial seja 12 por 7 (120/70 mmHg).
A pressão arterial de 12 por 8 (120/80 mmHg), ainda considerada normal, está no limite superior da faixa recomendada pelas diretrizes atuais. Embora não seja classificada como hipertensão, ela é vista como um ponto de atenção, especialmente para pessoas com fatores de risco como obesidade, sedentarismo, histórico familiar de doenças cardiovasculares ou colesterol elevado. A partir dessa perspectiva, o valor 12 por 8 deixa de ser o “padrão ouro” para prevenção de doenças cardíacas, sendo superado pelo 12 por 7.
De acordo com o Dr. Ronaldo Gismondi, coordenador da cardiologia do Niterói D’Or, estudos recentes mostram que pessoas com pressão arterial ligeiramente alta já apresentam um maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, como infarto e AVC (“derrame”). “A classificação ‘pressão arterial elevada’ foi criada para alertar sobre esses riscos e incentivar mudanças no estilo de vida desde cedo”, destaca.
Continue lendo para entender o que mudou com a nova diretriz.
Por que 12 por 7 é o novo ideal?
A pressão arterial de 12 por 7 (120/70 mmHg) é considerada ideal porque representa um equilíbrio saudável entre os dois números que medem a força do sangue nos vasos sanguíneos. O primeiro número (sistólica) mostra a pressão quando o coração bate e bombeia sangue, e o segundo (diastólica) indica a pressão quando o coração está em repouso entre os batimentos.
Manter a pressão em 12 por 7 ajuda a evitar que os vasos sanguíneos, o coração, os rins e o cérebro sejam sobrecarregados. Isso reduz as chances de desenvolver problemas graves, como infarto ou derrame (AVC).
Mesmo que valores como 12 por 8 ainda sejam considerados normais, estudos mostram que manter a pressão um pouco mais baixa, como 12 por 7, oferece uma proteção ainda maior contra doenças. Essa nova recomendação incentiva as pessoas a adotarem hábitos mais saudáveis para alcançar esse nível ideal de pressão arterial e cuidar melhor do coração e do corpo.
Dr. Ronaldo Gismondi destaca que alertar os pacientes precocemente sobre a pressão arterial elevada traz benefícios importantes. “Identificar a pressão arterial elevada antes que ela evolua para hipertensão permite implementar mudanças no estilo de vida, como melhorar a alimentação e aumentar a atividade física, prevenindo problemas mais graves no futuro.”
Diferença entre "pressão arterial elevada" e hipertensão?
“Muitos de nós podemos ter a pressão dentro de nossas artérias (“pressão arterial”) alta em algumas circunstâncias, como ao abusarmos do sal, durante exercício físico ou sob forte estresse. Em pessoas saudáveis, após passado o ‘evento estressor’, a pressão retorna ao normal, de modo que se pudéssemos medir ela continuamente, a média diária ou semanal estaria normal”, explica Dr. Gismondi.
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O especialista descreve que a hipertensão arterial sistêmica é uma doença caracterizada pelo aumento persistente e crônico da pressão arterial. Esse quadro pode causar danos aos vasos sanguíneos e a diversos órgãos, como olhos, coração, cérebro e rins. Por isso, exige acompanhamento médico e tratamento contínuo para evitar complicações graves.
“Ao redefinir os limiares para pressão arterial elevada, as novas diretrizes promovem uma prevenção mais precoce, reduzindo as chances de complicações graves, como insuficiência cardíaca, infarto e AVC”, enfatiza o cardiologista.
De acordo com Dr. Gismondi, através da nova definição, a pressão arterial é classificada como:
Pressão arterial não elevada: Quando o primeiro número (pressão sistólica) é menor que 120 e o segundo número (pressão diastólica) é menor que 70. Esse é o nível ideal. PAS < 120 mmHg e PAD < 70 mmHg;
Pressão arterial elevada:Quando o primeiro número está entre 120 e 139 e o segundo número entre 70 e 89. Aqui já é preciso atenção, pois o risco de desenvolver problemas como hipertensão aumenta. PAS 120-139 mmHg e PAD 70-89 mmHg;
Hipertensão arterial: Quando o primeiro número é igual ou maior que 140 ou o segundo número igual ou maior que 90. Nesse caso, é essencial procurar acompanhamento médico. PAS ≥ 140 mmHg ou PAD ≥ 90 mmHg.
De acordo com as Sociedades de Cardiologia da Europa e dos EUA, o valor normal de pressão arterial agora deve ser considerado 120 x 70 mmHg ou “12 x 7”. “É importante destacar que a Sociedade Brasileira de Cardiologia ainda está estudando o assunto e definindo se aplicará ou não a nova definição ao Brasil. Esse documento deverá ser publicado em 2025”, afirma Dr. Gismondi.
O tratamento para pressão arterial elevada é diferente do tratamento para hipertensão, embora ambos envolvam a adoção de hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso e praticar exercícios físicos regularmente.
De acordo com Dr. Gismondi, no caso da pressão arterial elevada, intervenções no estilo de vida geralmente são suficientes para ajudar a normalizar os níveis. No entanto, o uso de medicamentos entra em cena quando há um diagnóstico de hipertensão arterial, ou seja, quando a média da pressão arterial ultrapassa 140/90 mmHg.
Além disso, pessoas com pressão arterial elevada podem precisar de medicação se apresentarem alto risco cardiovascular ou se já tiverem alguma doença cardíaca. Por isso, é fundamental o acompanhamento médico para definir o melhor plano de cuidado para cada caso.
“Se a sua pressão estiver acima de ‘12 por 7’ em medidas frequentes, é importante procurar um médico para avaliar o risco cardiovascular e definir a melhor estratégia de prevenção ou tratamento”, aconselha o médico.
Dr. Gismondi também orienta procurar um médico imediatamente se apresentar:
- Dor de cabeça intensa e repentina;
- Visão embaçada ou perda temporária da visão;
- Dor no peito;
- Falta de ar;
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
- Palpitações;
- Desmaio ou sensação de que vai desmaiar.
“Mudou a classificação, mas a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento seguem os mesmos. É recomendado que todo adulto meça a pressão arterial em repouso, com a técnica correta, ao menos uma vez por ano”, complementa.
Mesmo que a pressão 12 por 8 não seja considerada hipertensão, é importante monitorá-la regularmente, especialmente se você apresenta fatores de risco. Agende uma consulta com um dos cardiologistas D’Or.
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