Coqueluche em alta: saiba mais sobre as ferramentas diagnósticas atuais e as recomendações de vacinação em adultos
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A coqueluche ou pertussis é uma infecção respiratória aguda altamente transmissível, causada pela bactéria Bordetella pertussis, um bacilo Gram negativo.
Tem distribuição geográfica universal, tendo sido controlada no Brasil com a introdução da vacina DTP (difteria, tétano e pertussis) no calendário básico do Programa Nacional de Imunizações (PNI), no início da década de 1980.
Na infância reside a preocupação maior com quadros clínicos que podem se apresentar com gravidade, entretanto, após a senescência dos anticorpos produzidos pela vacinação infantil, a coqueluche pode ocorrer em adultos. Quadros leves ou assintomáticos são mais frequentes em adultos e em indivíduos com imunização prévia.
Vacinação
A vacina contra coqueluche não é encontrada de forma isolada, ela está presente em diferentes combinações, indicadas conforme a idade ou as condições clínicas do paciente.
1) Crianças menores de 1 ano: 3 doses da vacina Pentavalente ou 3 doses da vacina Hexavalente com reforços aos 15 meses (com DTP ou Penta) e aos 4 anos de idade (com DTP ou dTpa);
2) Gestantes a partir da 20ª semana de gestação: uma dose da vacina tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa) a cada gestação;
3) Puérperas não vacinadas na gestação, profissionais da saúde e trabalhadores que atuam em berçários e creches com atendimento à crianças de até 4 anos de idade: uma dose de dTpa.
Diagnóstico etiológico
O diagnóstico laboratorial tem evoluído com o tempo, com os métodos mais sensíveis e específicos ocupando o lugar dos métodos tradicionais, como a cultura, que, além de baixa sensibilidade, demanda complexidade técnica e maior tempo para a obtenção dos resultados. Os métodos sorológicos se limitam ao tempo para positividade, geralmente só em fases mais tardias da doença.
Utilização Clínica
Nas fases iniciais da doença, a melhor opção é o diagnóstico molecular. Os Painéis Moleculares Sindrômicos devem ser reservados quando houver dúvida clínica ou suspeita de infecção por mais de um agente. O painel respiratório molecular bacteriano deve ser solicitado nas suspeitas clínicas de infecção bacteriana e o painel respiratório Filmarray quando houver necessidade de uma pesquisa mais ampla e resultados com maior urgência. Uma opção para o diagnóstico nas fases mais tardias pode ser a pesquisa de anticorpos IgG e IgA, que podem ser solicitados em conjunto com as pesquisas moleculares, assegurando maior sensibilidade.
Tratamento
O tratamento de escolha para a infecção pela Bordetella pertussis é a antibioticoterapia com macrolídeos, sendo o sulfametoxazol/trimetoprim a segunda opção. O início do tratamento na fase catarral pode reduzir o tempo de doença, sendo indicado também na fase paroxística para eliminação de colonização de nasofaringe e prevenção de complicações.
Esquema terapêutico
Azitromicina VO
Adultos 500mg qd no D1, seguido de 250mg qd por 4 dias;
Crianças 10mg/kg qd no D1, seguido de 5mg/kg qd por 4 dias;
Claritromicina VO
Adultos 500mg duas vezes ao dia por 7dias;
Crianças 7,5mg/kg duas vezes ao dia por 7dias.
Sulfametoxazol+Trimetoprim VO
Adultos 800+160mg duas vezes ao dia por 14 dias;
Crianças 4mg/kg do componente TMP duas vezes ao dia por 14 dias.
Quimioprofilaxia Pós-Exposição (QPE)
A QPE da coqueluche é indicada para todos os contatos domiciliares, pessoas com risco de evoluir para formas graves da doença e pessoas com maior risco de transmissão da doença para vulneráveis e foram expostas a caso suspeito ou confirmado de coqueluche.
A QPE deve ser realizada o mais rápido possível, no período de até 21 dias após a última exposição a casos suspeitos ou confirmados que estejam apresentando tosse.
O esquema antibiótico recomendado é o mesmo que o utilizado no tratamento da infecção aguda (ver tratamento).
O afastamento do aluno da escola ou do trabalhador de seu ambiente de trabalho deve ser iniciado ao surgirem os primeiros sintomas da doença, até que seja descartado o diagnóstico de coqueluche ou que seja encerrada a fase de transmissão.
O tempo de afastamento deve ser de cinco dias após o início de tratamento com antimicrobiano ou de três semanas após o início dos paroxismos de tosse nos casos que não tenham recebido tratamento específico.
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