
Infecção Urinária na Infância e Adolescência
Revisão médica

Luiza Do Nascimento Ghizoni Pereira
CRM 14635-4/SPO que é a infecção urinária?
Chamamos de infecção urinária toda situação em que há contaminação da bexiga ou das vias urinárias por microrganismos (principalmente as bactérias, mas também fungos ou vírus), causando a inflamação dessas estruturas.
Esses agentes acabam “ferindo” as paredes da bexiga (cistite) e das vias urinárias, podendo afetar e inflamar também os rins (pielonefrite).
O que causa a infecção urinária nas crianças?
Em geral, na maioria das pessoas saudáveis, a urina não contém nenhum microrganismo. E ela se mantém assim justamente porque o fluxo urinário recorrente elimina a maior parte das bactérias presentes na região anal e genital.
Em situações de desequilíbrio, como aumento da proliferação dessas bactérias próximo à saída da uretra ou dificuldades de esvaziar todo o conteúdo de urina da bexiga, há uma predisposição para que essas infecções urinárias ocorram.
Os principais fatores de risco são:
- Ausência de higiene adequada da região anal e genital;
- Troca de fraldas com frequência inadequada, mantendo longos períodos de contato da urina e das fezes com a região genital;
- Fimose (nos meninos) e sinéquia de pequenos lábios (nas meninas). Essas situações provocam acúmulo de urina no genital e consequentemente facilitam a proliferação das bactérias;
- Constipação intestinal;
- Mau hábito de segurar a urina por longos períodos ou outras alterações da função da bexiga que fazem com que haja sempre perdas de urina na calcinha ou cueca, ou não esvaziamento completo da bexiga;
- Malformações dos rins e vias urinárias, levando, na maioria dos casos, à dilatação deste trajeto.
Quais são os sintomas da infecção urinária em crianças e adolescentes?
Os sintomas de infecção urinária em crianças e adolescentes podem variar dependendo da idade e da localização da infecção (trato urinário inferior ou superior). Mas os principais são:
Em crianças pequenas (bebês e pré-escolares)
- Febre sem causa aparente;
- Irritabilidade ou choro excessivo;
- Dificuldade para se alimentar ou recusa alimentar;
- Vômitos ou diarreia;
- Urina com odor forte ou turva;
- Dor abdominal ou desconforto;
- Atraso no ganho de peso (em bebês).
Em crianças maiores e adolescentes
- Dor ou ardência ao urinar (disúria);
- Vontade frequente de urinar, mas com pouco volume (polaquiúria);
- Urgência urinária (necessidade urgente de urinar);
- Dor na parte inferior do abdômen ou nas costas;
- Urina turva, com mau cheiro ou presença de sangue (hematúria);
- Febre e calafrios (mais comuns em infecções nos rins);
- Mal-estar geral e cansaço.
Como as infecções urinárias se manifestam nas crianças?
A principal manifestação das infecções urinárias em bebês e crianças menores é a febre, que pode ou não estar acompanhada de outros sintomas, como dificuldade para mamar ou redução do apetite, irritabilidade, vômitos e urina com mau cheiro.
Nas crianças maiores, a febre pode continuar presente, porém aparecem com mais frequência sintomas como ardência para urinar, aumento da frequência miccional, sensação de “vontade de urinar” o tempo todo, dificuldade de controlar a urina, dor abdominal ou lombar, vômitos e eventualmente diarreia.
Como é realizado o diagnóstico das infecções urinárias em crianças?
O diagnóstico é sugerido por meio da presença dos sintomas clássicos, associados ao aumento significativo do número de leucócitos no exame de urina 1 (podendo também conter sangue, proteínas e nitrito), e confirmado por meio da urocultura positiva. Esse último exame é de suma importância, pois determina qual microrganismo causou a infecção e seu perfil de sensibilidade aos antibióticos.
Dor para urinar é sempre sinal de infecção urinária?
Apesar de a dor para urinar ser um sintoma bastante sugestivo de infecção urinária, ele também pode aparecer em outras situações, principalmente inflamações vaginais. Chamamos este quadro de vulvovaginite, e é capaz de afetar todas as faixas etárias.
As principais diferenças são que, em geral, não há febre e pode haver vermelhidão e corrimento evidenciados no exame físico. No exame de urina, muitas vezes temos alterações mais leves e urocultura negativa. Para este quadro vaginal, o tratamento mais recomendado é o local, com pomada e banho de assento.
Qual é o tratamento adequado para crianças com infecção urinária?
O tratamento é realizado com antibiótico, prescrito pelo médico de acordo com a idade da criança ou com o comprometimento geral da doença. Este pode ser por via oral ou endovenosa, de acordo com alguns critérios de gravidade, e a duração varia de 7 a 14 dias.
O antibiótico escolhido inicialmente segue o protocolo de cada hospital de acordo com as bactérias mais frequentemente encontradas e deve ser confirmado por meio do resultado da urocultura e do perfil de sensibilidade do agente causador encontrado.
Quando procurar um especialista?
As infecções urinárias são consideradas sinais de alerta para possíveis alterações nos rins e nas vias urinárias, e seu aparecimento também pode levar a cicatrizes renais. Sendo assim, frente a esta situação, a avaliação de um nefrologista infantil ou uropediatra é sempre recomendável.
As situações em que esta avaliação é imprescindível são:
- Infecção urinária em bebês e crianças pequenas, principalmente abaixo de 2 anos;
- Infecções urinárias repetidas (mais de 2 episódios por ano);
- Alterações do sistema urinário evidenciadas pelo ultrassom.
Como prevenir as infecções urinárias?
Alguns cuidados podem ser adotados durante o tratamento para prevenir a condição:
- Manter a criança sempre bem hidratada;
- Fazer a higienização correta da região genital e anal da criança;
- Trocar a fralda frequentemente, para aqueles que ainda não adquiriram controle miccional;
- Para as crianças já desfraldadas, estar atento ao hábito miccional e intestinal, estimulando que urinem a cada 2 a 3 horas, estejam numa posição adequada para urinar, com os pés bem apoiados e utilizando o redutor de assento, sem pressa para que haja um bom esvaziamento da bexiga. Após, é necessário realizar a higiene adequada.
- Manter um acompanhamento de saúde apropriado com o pediatra, sendo encaminhado para avaliação especializada sempre que necessário.
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