Médico, autor e diretor de Comunicação do IDOR, o Dr. Cláudio Ferrari comenta sobre o fortalecimento da divulgação científica na instituição e a importância social de fazer a ciência chegar à população
“O que você acha mais interessante, ouvir uma aula ou uma história?” — com essa pergunta o diretor de Comunicação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), Dr. Claudio Ferrari, responde a outra: qual a importância da divulgação científica para uma instituição de pesquisa?
A divulgação científica, ou popularização científica, é todo esforço de conectar a sociedade diretamente com a ciência. Muito do conhecimento científico produzido não circula para o público geral, sendo consumido apenas por nichos científicos e muitas vezes perdendo a conexão com necessidades reais da maioria da população.
A popularização do conhecimento pode partir tanto dos cidadãos e da mídia como dos cientistas e das instituições de pesquisa, mas tanto no Brasil como no mundo essas iniciativas ainda são tímidas, principalmente quando comparadas ao volume de notícias falsas, que se tornam particularmente perigosas quando envolvem o setor da saúde.
Como instituição privada sem fins lucrativos criada por dois pesquisadores, o IDOR sempre teve a preocupação de compartilhar com a sociedade seus estudos mais relevantes, principalmente quando esses estudos traziam informações muito necessárias para o cenário nacional, como foi o caso, em 2015, da correlação entre a infecção por zika na gravidez e aumento de casos de microcefalia no país, descoberta na qual o instituto teve participação.
Contudo, até a pandemia de covid-19, em 2020, a divulgação científica era uma no rol de atividades do departamento de Comunicação da instituição. Após o rápido alastramento pandêmico e a alta circulação de notícias falsas sobre saúde, o IDOR se comprometeu não apenas a desenvolver pesquisas sobre a doença e suas vacinas, mas também a oferecer à população um espaço confiável de informações científicas recentes sobre o novo vírus, sendo, inclusive, uma das primeiras instituições a divulgar (e a participar) de estudos que apontavam os efeitos deletérios da covid-19 no cérebro, para além da inflamação pulmonar que sobrecarregava a unidades de terapia intensiva.
Nessa época crítica, a pedido do presidente da Rede D’Or, assumia a Diretoria de Comunicação do IDOR o Dr. Claudio Ferrari, médico oncologista e hematologista com uma especialidade incomum: três décadas de experiência em comunicação e estratégia na área da saúde. O objetivo de sua entrada era ambicioso, ampliar a voz do Instituto para o público médico, estudantes da área da saúde e para a população brasileira.