Iniciativa brasileira é exemplo de resiliência e engajamento comunitário durante crise sanitária
A pandemia de covid-19 evidenciou desigualdades históricas no acesso à saúde, tanto em âmbito global quanto no Brasil. Essas disparidades manifestaram-se de forma acentuada no acesso a leitos hospitalares e a vacinas, especialmente em comunidades de baixa renda nas grandes cidades e em regiões com menor índice de desenvolvimento humano.
Em resposta a esse cenário, o projeto Vacina Maré foi implementado em 2021 com o objetivo de ampliar a vacinação e estudar dados de saúde durante a pandemia nas favelas. A iniciativa, que está ativa até os dias atuais, foi idealizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pela organização Redes da Maré e pela Prefeitura do Rio de Janeiro, contando com o apoio do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e de diversas outras instituições de pesquisa.
O Complexo da Maré abriga 16 favelas no Rio de Janeiro e aproximadamente 140 mil habitantes. Desde o início da pandemia, a comunidade foi palco de intervenções comunitárias, dentre as quais o Vacina Maré compôs um conjunto de ações que incluíam vacinação, vigilância local, assistência por telemedicina, apoio social e comunicação de riscos. O sucesso do projeto foi atribuído, entre outros fatores, ao massivo engajamento da população local na iniciativa, resultando em uma grande visibilidade e apresentações na Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde e diversos centros de pesquisa internacionais.
Reduzindo a inequidade no acesso à imunização
Em um artigo de 2024 publicado The Lancet Regional Health – Americas, dados do projeto foram apresentados para toda a comunidade científica, computando o auxílio comunitário de 1.800 voluntários durante as campanhas de vacinação.
As campanhas ocorreram de 29 de julho a 1º de agosto de 2021 para a primeira dose e de 14 a 16 de outubro para a segunda. Na primeira fase, há seis meses do início da vacinação no Brasil, o Dados do Bem já apontava que áreas de comunidades apresentavam maior número de infecções e necessitava maior apoio de políticas públicas. A campanha de vacinação foi direcionada a residentes entre 18 e 33 anos, faixa etária ainda não contemplada pela priorização por idade.